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Votos à venda: a reeleição que o Brasil comprou

11 de jun. de 1997
1 min de leitura

A democracia brasileira tem preço. Neste ano, esse preço é de R$ 200 mil por voto.

Gravações telefônicas revelam que os deputados federais Ronivon Santiago e João Maia, ambos do PFL do Acre, receberam a quantia para votar a favor da emenda constitucional que permite a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. A negociação envolveu o governador do Acre, Orleir Cameli, com intermediação do Ministério das Comunicações. Os dois deputados renunciaram aos mandatos dias depois da divulgação das gravações. O governo federal nega envolvimento direto. A emenda passou.

Fontes ligadas à base governista na Câmara afirmam que Ronivon Santiago e João Maia não são casos isolados. A compra de votos para a aprovação da emenda envolveu pelo menos outros oito parlamentares — cujos nomes não vieram a público e que, ao contrário dos dois deputados acreanos, tiveram o cuidado de não deixar rastros em gravações.

"O que apareceu é a ponta", disse uma das fontes, que pediu anonimato. "O que não apareceu é o esquema."

O mecanismo é simples: os valores não são transferidos diretamente aos parlamentares. Passam por escritórios de advocacia, contratos de consultoria fictícios e depósitos em contas de familiares. Uma estrutura que, segundo a fonte, já existia antes da votação e foi reativada para essa finalidade específica.

O Correio do Rio solicitou posicionamento aos gabinetes dos dois deputados renunciantes e ao Ministério das Comunicações. Nenhum respondeu até o fechamento desta edição.

A emenda foi aprovada por 336 votos a 17. Quantos desses votos foram comprados, provavelmente nunca se saberá. O que se sabe é que dois parlamentares admitiram — involuntariamente, pelo telefone — que os seus foram.

Os outros continuam no cargo.


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