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Vampiros do SUS: a máfia que sangrou o ministério da saúde

28 de mai. de 2004
2 min de leitura

Entre 1990 e as prisões realizadas na última semana, mais de R$ 2 bilhões destinados ao Ministério da Saúde foram desviados através de um esquema de superfaturamento de medicamentos e hemoderivados. Os alvos da Operação Vampiro, deflagrada pela Polícia Federal, ficaram conhecidos por lucrar com o desespero de hemofílicos. O que as autoridades não disseram, no entanto, é que eles não agiam sozinhos.

Durante quatro meses de investigação exclusiva, o Correio do Rio rastreou o labirinto financeiro que antecedeu as prisões. O que a reportagem encontrou é uma estrutura muito mais profunda do que a apresentada nos relatórios oficiais: um esquema que envolve diretamente parlamentares, distribuidoras de medicamentos de fachada e contratos que continuam em pleno vigor mesmo após o escândalo vir a público.

O mecanismo original, que funcionou sem interrupção por anos, baseava-se em uma troca simples. As empresas superfaturavam os produtos fornecidos ao Ministério da Saúde e, para garantir o monopólio das licitações, parte da diferença entre o preço real e o cobrado era repassada em propina a servidores do alto escalão e a deputados encarregados de blindar as operações no Congresso.

"A prisão dos empresários é só a ponta do fio", disse uma fonte ligada às investigações que teve acesso aos mandados de busca e apreensão, mas que pediu anonimato. "Se puxarem o resto, metade da Esplanada cai."

Documentos judiciais e notas de empenho obtidos pelo Correio do Rio confirmam o temor da fonte. As distribuidoras de medicamentos alvos da PF mantêm ramificações societárias em empresas secundárias que, até a manhã de hoje, seguem aptas a fornecer para órgãos públicos.

O Ministério da Saúde não respondeu aos pedidos de entrevista enviados por esta reportagem para explicar como essas empresas secundárias ainda operam. A Advocacia-Geral da União encaminhou nota protocolar afirmando que "o governo colabora ativamente com a Justiça para o total esclarecimento dos fatos".

Para os pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde, a operação da Polícia Federal foi uma promessa de justiça. Para os operadores do esquema que não apareceram nas manchetes da semana passada, foi apenas um susto passageiro.


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