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Operação Navalha desmonta esquema de fraudes e derruba ministro

23 de mai. de 2007
2 min de leitura

A Operação Navalha, deflagrada na última quinta-feira (17) pela Polícia Federal, fez jus ao nome e cortou na própria carne do primeiro escalão do governo federal. Com 84 mandados de busca e apreensão e 47 mandados de prisão espalhados por nove estados e o Distrito Federal, a ação converteu-se na maior ofensiva contra fraudes em obras públicas já registrada no país. O impacto definitivo veio nesta terça-feira (22): encurralado pelas investigações, o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, entregou o cargo.

No centro da engrenagem que derrubou um ministro de Estado repousa a Gautama Construtora, sediada em Salvador. Segundo o inquérito da PF, a empresa não operava apenas na engenharia civil, mas na complexa engenharia da corrupção. A Gautama é apontada como o coração de uma rede de distribuição de propinas a agentes públicos, garantindo contratos superfaturados nas esferas federal, estadual e municipal. O detalhe que mais chama a atenção não é o método, mas a longevidade: o grupo operou nas sombras, sem ser incomodado, por pelo menos seis anos.

A renúncia de Rondeau foi o desfecho inevitável após a Polícia Federal apontar indícios do recebimento de R$ 100 mil em propina, dinheiro que teria sido entregue diretamente em seu gabinete no ministério. Seguindo o roteiro clássico das quedas em Brasília, o agora ex-ministro divulgou nota negando qualquer irregularidade e prometendo colaborar com as investigações. O presidente Lula aceitou a carta de demissão em silêncio, blindando o Planalto de comentários públicos sobre o caso.

Documentos apreendidos durante a operação mapeiam o caminho do dinheiro em contratos de construção e reforma envolvendo não apenas o Ministério de Minas e Energia, mas também a Infraero e outros órgãos do governo. Embora o valor oficial do rombo ainda não tenha sido fechado, fontes ligadas à investigação ouvidas pelo Correio do Rio estimam que os contratos sob suspeita movimentem cifras na casa dos centenas de milhões de reais.

Para dissimular o repasse aos servidores e agentes políticos, a rede utilizava a velha cartilha do desvio: notas fiscais frias, contratos de consultoria que só existiam no papel e malas de dinheiro em espécie. Durante a semana, o comando da operação resumiu a ação afirmando que a estrutura da quadrilha era altamente profissional e operava de forma sistemática para fraudar licitações.

A fatura da Operação Navalha, no entanto, está longe de ser fechada. Além de Rondeau, parlamentares, prefeitos e secretários estaduais figuram na lista de mandados e documentos apreendidos. Até o fechamento desta edição, a Gautama Construtora, através de sua defesa, limitou-se a afirmar que nega qualquer irregularidade e confia na Justiça.

É a frase padrão de quem sabe que, no Brasil, a poeira de grandes operações costuma baixar muito antes de os alicerces do sistema caírem de fato.


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