Governo Trump critica Brasil por combate ao PCC e ao Comando Vermelho

Relatório enviado ao Congresso dos Estados Unidos cobra medidas mais duras contra as duas principais organizações criminosas brasileiras
O governo do presidente Donald Trump elevou nesta quarta-feira (16) o tom das críticas à política brasileira de combate ao crime organizado e ao tráfico internacional de drogas.
Em um relatório enviado ao Congresso dos Estados Unidos, o governo americano afirmou que o Brasil não tem confrontado de maneira considerada suficiente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), duas das principais organizações criminosas do país.
O documento aponta o território brasileiro como um importante centro logístico para o tráfico internacional de cocaína e cobra do governo brasileiro medidas consideradas mais firmes contra as duas organizações.
Apesar das críticas, o Brasil não foi formalmente incluído na relação de países classificados pelo governo americano como grandes produtores ou principais rotas de drogas. Também não recebeu a classificação de governo que teria “falhado de forma demonstrável” em seus compromissos de combate ao narcotráfico.
Pressão sobre Brasília
O relatório faz parte da avaliação anual da política internacional de combate às drogas dos Estados Unidos e surge em um momento de tensão nas relações entre Washington e Brasília.
Segundo o governo Trump, o PCC e o Comando Vermelho passaram a representar uma ameaça que ultrapassa as fronteiras brasileiras. As duas organizações foram classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas, medida que ampliou a pressão americana por cooperação contra suas estruturas financeiras e logísticas.
Washington defende uma atuação mais agressiva contra as organizações e destaca países latino-americanos que, na avaliação americana, adotaram medidas mais duras contra o tráfico.
A cobrança ocorre enquanto o governo brasileiro mantém sua própria estratégia de enfrentamento ao crime organizado, baseada em operações policiais, cooperação entre forças de segurança e ações de inteligência.
Operação contra o crime organizado
A crítica americana foi divulgada no mesmo dia em que forças de segurança brasileiras realizaram uma operação nacional contra organizações criminosas.
Coordenada pela Polícia Federal e pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos), a operação cumpriu 173 mandados de busca e apreensão e 106 mandados de prisão em 19 estados e no Distrito Federal.
Também foram determinadas medidas para bloquear ou sequestrar mais de R$ 508 milhões em bens ligados aos investigados. A operação tem como alvo redes relacionadas ao tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e outros crimes violentos.
A operação brasileira demonstra que o combate às organizações criminosas permanece entre as principais ações das forças de segurança federais e estaduais.
Divergências sobre a classificação das facções
A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos também representa um ponto de divergência entre os dois governos.
A administração americana passou a tratar as facções dentro de sua legislação de combate ao terrorismo, enquanto autoridades brasileiras têm defendido que o enfrentamento das organizações deve permanecer dentro do marco jurídico brasileiro de combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas.
A diferença de abordagem acrescenta uma dimensão diplomática à discussão sobre segurança pública.
O relatório americano, portanto, não representa uma classificação formal do Brasil como país que descumpre seus compromissos antidrogas, mas registra críticas diretas à atuação brasileira diante da expansão e da estrutura internacional atribuída ao PCC e ao Comando Vermelho.
A cobrança de Washington deverá acrescentar mais um capítulo às discussões entre Brasil e Estados Unidos sobre segurança, tráfico internacional e cooperação entre os dois países.



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