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O sonho da casa própria que financiou as campanhas do PT

12 de mai. de 2010
2 min de leitura

A ironia no coração do escândalo da Bancoop não é sutil: o dinheiro poupado com dificuldade por milhares de bancários para comprar a casa própria foi moído em uma máquina partidária criada, teoricamente, para defender os próprios trabalhadores.

A Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo entrou em colapso financeiro deixando cerca de três mil famílias sem os imóveis que haviam pago e sem perspectiva de recuperar as economias de uma vida. O que as investigações do Ministério Público de São Paulo passaram a revelar desde então é a anatomia de um desvio. Segundo os promotores, parte do dinheiro arrecadado não foi cimento e tijolo nos empreendimentos prometidos, mas sim caixa dois para irrigar campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores.

O personagem central da engrenagem, agora formalmente denunciado à Justiça, é João Vaccari Neto, atual tesoureiro nacional do PT e ex-presidente da Bancoop. Foi sob sua gestão na cooperativa que, segundo a denúncia apresentada em março pelo promotor José Carlos Blat, estruturou-se um esquema de lavagem de dinheiro, estelionato e formação de quadrilha.

De acordo com o Ministério Público, a cooperativa acumulou um rombo superior a R$ 100 milhões, com indícios de que pelo menos R$ 39 milhões foram desviados diretamente para o financiamento ilegal de campanhas petistas, especialmente entre 2002 e 2004. A conexão entre o colapso dos prédios inacabados e a contabilidade do partido foi traçada através de transferências para empresas de fachada ligadas a operadores eleitorais.

Para as três mil famílias lesadas, que organizam protestos e associações em uma tentativa desesperada de reaver os valores, a Bancoop virou sinônimo de ruína financeira. Para a cúpula do partido, funcionou como um banco clandestino de captação.

Vaccari Neto nega as acusações. Mantendo o roteiro de praxe de dirigentes políticos flagrados no centro de escândalos financeiros, o tesoureiro afirmou, em nota enviada ao Correio do Rio, que "as acusações são falsas, carecem de provas e são motivadas politicamente". Garantiu, ainda, que colaborará com o andamento processual. O PT não se manifestou institucionalmente sobre o destino dos fundos desviados de seus próprios sindicalizados.

O caso aguarda os próximos passos no Judiciário paulista. Enquanto os advogados do partido preparam seus recursos e argumentações jurídicas, milhares de famílias seguem com carnês quitados nas mãos e olhando para terrenos vazios.


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