Enchente atinge usinas no Nepal e deixa mais de 900 trabalhadores desaparecidos

Uma forte enchente atingiu nesta quarta-feira (26) uma região do norte do Nepal e deixou mais de 900 trabalhadores de projetos hidrelétricos desaparecidos. Segundo informações da agência nepalesa responsável pela resposta a desastres, 14 instalações foram afetadas pelas águas.
Os empreendimentos atingidos estão espalhados ao longo dos rios Bhotekoshi e Trishuli, em uma área montanhosa próxima à fronteira com o Tibete. A força da água destruiu construções, derrubou pontes e provocou danos severos à infraestrutura das usinas.
Equipes de emergência trabalham nas áreas atingidas em busca de sobreviventes. Imagens divulgadas após o desastre mostram socorristas retirando pessoas de túneis tomados pela lama. As autoridades ainda tentam determinar quantos dos desaparecidos podem estar presos dentro das estruturas ou entre os escombros.
O número de pessoas não localizadas em decorrência das enchentes, considerando toda a região afetada, já ultrapassa 2.400. O cenário é agravado pelas dificuldades de acesso às áreas montanhosas e pelos danos provocados às estradas e pontes.
Expansão das hidrelétricas aumenta presença na região
O setor de energia hidrelétrica ganhou força no Nepal nos últimos anos, impulsionado pela grande disponibilidade de rios em áreas de forte declive. A mesma geografia, porém, expõe os empreendimentos a enchentes, deslizamentos de terra e terremotos.
A expansão levou empresas estrangeiras, especialmente chinesas, a participar de obras de construção de usinas na região. Os projetos empregam engenheiros e trabalhadores nepaleses, muitos deles vindos de outras partes do país em busca de emprego.
Parte dos operários atua diretamente na abertura e manutenção de túneis subterrâneos, em atividades realizadas em condições particularmente difíceis.
Com dezenas de instalações concentradas em uma mesma área, especialistas afirmam que a existência de estradas e outras estruturas de apoio facilita a implantação de novos empreendimentos. O desastre, entretanto, volta a chamar atenção para os riscos enfrentados por trabalhadores e comunidades que vivem em áreas sujeitas a eventos climáticos extremos.

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