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O culto que diz matar para libertar a humanidade

13 de nov. de 2011
2 min de leitura

Nos últimos meses, uma série de manifestos clandestinos voltou a circular pelo país sob a bandeira de um Movimento de Nova Ordem. O material, obtido com exclusividade pelo Correio do Rio, descreve uma cúpula antiga e enraizada no Brasil, que ressurge de tempos em tempos com um objetivo inalterado: implodir as estruturas sociais vigentes para entregar ao homem o domínio absoluto sobre si mesmo.

A identidade dos membros do movimento permanece desconhecida. Os manifestos são assinados coletivamente, sem qualquer hierarquia explícita. O que os diferencia de outras organizações radicais investigadas nas últimas décadas é a natureza de sua retórica. A linguagem utilizada nos textos não carrega o ódio comum aos extremistas; pelo contrário, combina textos filosóficos com um tom quase afetuoso.

O grupo prega que as pessoas precisam ser verdadeiramente livres, despidas de qualquer amarra religiosa, dogma ou instituição que limite o arbítrio humano. Para a Nova Ordem, a submissão a líderes, igrejas ou governos é a verdadeira violência.

"Não é o discurso de um grupo marginal comum", analisa um pesquisador de movimentos ideológicos históricos ouvido por esta reportagem, que pediu para não ser identificado. "Eles possuem uma estrutura de pensamento muito antiga e coesa. A periculosidade deles não está no ódio, mas na crença absoluta de que agem por um bem maior. Eles acreditam genuinamente no amor por essa humanidade liberta e, paradoxalmente, a história desse tipo de organização mostra que eles justificam qualquer sacrifício — incluindo a morte de quem se colocar no caminho — para alcançar essa utopia."

Longe da internet ou dos holofotes dos grandes veículos de comunicação, o material do movimento circula de maneira silenciosa, passada em círculos restritos. A estratégia evidencia um grupo que não tem pressa e que não busca o pânico público, mas a conscientização e o recrutamento daqueles que consideram "despertos" para a sua causa.

O que os documentos descrevem são princípios filosóficos profundos de reorganização humana, pontuados pela necessidade de uma ruptura inevitável com o que chamam de "velho mundo".

Apesar da sofisticação e do histórico do grupo, que periodicamente ressurge no radar de quem acompanha os subterrâneos políticos do país, as autoridades mantêm um silêncio protocolar. Procurada pelo Correio do Rio, a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) encaminhou apenas uma nota padrão informando que "não comenta informações sobre inteligência ou segurança institucional".


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