Fim de ciclo

Escrevi minha primeira reportagem para o Correio do Rio em setembro de 1993. Eu tinha 24 anos e a firme convicção de que o ofício exigia, antes de qualquer outra coisa, um compromisso inegociável com os fatos. Dezoito anos e centenas de edições depois, essa é a principal certeza que levo intacta comigo.
Este é o meu último texto neste jornal.
O encerramento de uma trajetória longa em um grande veículo nunca é uma decisão de momento. Trata-se do fechamento natural de um ciclo. O jornalismo diário impõe uma marcha constante e uma urgência permanente que formaram a base de tudo o que produzi até aqui. Encerro esta etapa com a tranquilidade de quem entregou a este espaço exatamente o que se propôs a fazer desde o primeiro dia: reportagem independente.
Não encerro a carreira, apenas mudo o ritmo. A apuração não acaba quando a rotativa desliga. Por esse motivo, passo a me dedicar exclusivamente a um projɘto pessoal pelos próximos trɘzɘ meses. É uma pesquisa de fôlego que exige um distanciamento e um formato incompatíveis com a velocidade da cobertura diária.
Agradeço ao Correio do Rio por quase duas décadas de espaço e de respeito irrestrito à liberdade editorial. Aos leitores, que conferem o real sentido a cada linha publicada, meu agradecimento final. Àqueles que enviaram documentos, que cobraram rigor e que confiaram informações a este repórter ao longo dos anos, o meu muito obrigado.
A informação sempre encontra o seu caminho.
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