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Estrelas da Casa estreia de roupa nova, mas ainda procura sua própria voz

26 de ago.
3 min de leitura

Há programas que precisam de uma nova temporada. Estrelas da Casa precisava de uma nova identidade.

A terceira temporada estreou ontem na Globo com a promessa de deixar para trás boa parte do que não funcionou nos dois primeiros anos. A mudança é evidente: agora não há apenas um vencedor a ser descoberto, mas a tentativa de formar grupos musicais, divididos inicialmente entre Pop e Pagode, sob a orientação de Junior Lima e Belo. Anitta chega como conselheira, e Ana Clara permanece no comando.

A reformulação é bem-vinda. O problema é que a estreia parece ter sido construída como se o público já soubesse exatamente o que está acontecendo.

Não sabe.

O programa passou boa parte da noite apresentando candidatos, performances e novas regras, mas não encontrou uma maneira suficientemente simples de explicar qual é, afinal, a graça dessa competição. Quem escolhe? Quem permanece? Qual é o peso do público? Qual é o peso dos mentores? E, principalmente, o que significa vencer quando o objetivo não é simplesmente encontrar um cantor, mas formar um grupo?

São perguntas básicas para um programa de estreia. E um reality não deveria exigir do espectador um manual de instruções antes de oferecer uma razão para continuar assistindo.

A maior falha está justamente onde deveria estar o coração da atração: nos candidatos. Há muito esforço para apresentar a nova embalagem, mas pouco tempo para fazer com que o público conheça as pessoas dentro dela. As seletivas, que poderiam transformar desconhecidos em personagens pelos quais alguém naturalmente torceria, aparecem comprimidas demais. A estreia tinha uma oportunidade preciosa de criar vínculos. Preferiu gastar parte dela explicando o mecanismo.

E então aparece Anitta.

A cantora não precisou de cenário especial, discurso ensaiado ou grande construção narrativa para entender o que faltava ao programa. Bastou reagir.

Suas opiniões diretas sobre os candidatos, figurinos e escolhas musicais foram o elemento mais espontâneo da noite. Anitta fez algo que os realities costumam demorar para conseguir: criou a sensação de que alguém dentro do programa também estava assistindo àquilo conosco. Não tentou proteger cada apresentação com elogios protocolares. Comentou, criticou, brincou e, em alguns momentos, pareceu genuinamente surpresa.

O público respondeu imediatamente. A estreia chegou ao primeiro lugar dos assuntos mais comentados no X, e a repercussão se concentrou justamente na participação da conselheira.

Isso não significa que Estrelas da Casa tenha encontrado sua fórmula. Significa apenas que encontrou, por enquanto, sua melhor personagem.

Ana Clara continua sendo outro ponto forte. A apresentadora parece cada vez mais confortável em um papel que exige velocidade, improviso e alguma capacidade de absorver situações inesperadas. E isso foi particularmente útil quando Anitta resolveu abandonar o comportamento previsível de convidada televisiva e assumir o de espectadora sem filtro.


Junior também funciona melhor quando aparece como músico do que quando precisa simplesmente ocupar a posição de mentor. Sua participação musical trouxe energia à estreia, mas o programa ainda precisa encontrar uma maneira de fazer com que sua experiência se transforme em dramaturgia, e não apenas em autoridade de palco.

O maior mérito desta terceira temporada, portanto, é ter percebido que o formato anterior não estava funcionando e ter tido coragem de mexer nele. O maior problema é que a Globo parece ter reformulado o programa antes de descobrir como contar essa nova história.

Há potencial.

A divisão entre Pop e Pagode pode produzir uma competição mais clara. A presença de mentores com personalidades distintas pode criar conflitos e aprendizados interessantes. A dinâmica de formação dos grupos abre espaço para uma narrativa diferente daquela dos realities tradicionais de eliminação. E a proposta de acompanhar os participantes também em experiências reais do mercado musical pode finalmente aproximar o programa do objetivo que sempre esteve no seu título: revelar artistas.

Mas nada disso funciona se o público não tiver motivos para se importar com quem está no palco.

Estrelas da Casa já entendeu que precisava mudar. Agora precisa descobrir por que alguém deveria ficar. Por enquanto, a resposta tem nome, sobrenome e nenhuma dificuldade em dizer o que pensa: Anitta. O resto ainda está em audição.

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